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ADUBAÇÃO VERDE PARA RENOVAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DE CANAVIAIS

Introdução

A cana-de-açúcar é cultivada no Brasil desde o período colonial e estamos entre os maiores produtores e exportadores mundiais de açúcar e etanol, que são commodities importantes do agronegócio brasileiro.
A necessidade e aumento da demanda de uma matriz energética mais limpa impõe o aumento da produtividade nas áreas já cultivadas e a inclusão de novas áreas para a produção de cana-de-açúcar.

Dessa forma, o setor sucroenergético tem como desafios produzir e preservar, pois há o apelo mundial para a geração de biocombustíveis menos poluentes e renováveis e ainda ser viável economicamente. 

A adubação verde é uma técnica agrícola natural, que atende as necessidades do setor sucroalcooleiro, viabilizando a sustentabilidade econômica e ambiental.

Benefícios

O uso dos adubos verdes na implantação e renovação dos canaviais tem como benefícios diretos:

a) Proteção e cobertura do solo, impedindo os efeitos da erosão e radiação solar e o desenvolvimento de ervas daninhas;
b) Rotação de culturas, intensificando a vida biológica do solo e reduzindo a incidência de nematoides fitoparasitos;
c) Produção de biomassa, suprimento de matéria orgânica, aumento da capacidade de armazenamento de água e recuperação de solos degradados;
d) Sistema radicular profundo, ajudando na descompactação, estruturação e aeração do solo e reciclagem de nutrientes lixiviados e liberação de fósforo fixado.
e) Redução do assoreamento de sulcos de plantio, evitando o replantio;
f) Fornecimento de nitrogênio fixado direto da atmosfera, reduzindo adubação nitrogenada do plantio;
g) Permite o plantio de cana-de-açúcar enquanto aguarda a colheita de grãos, soja ou amendoim.

ADUBOS
VERDES
ESPÉCIES

Os adubos verdes mais utilizados são:

1- Crotalária-júncea: leguminosa consagrada pelos melhores resultados na pesquisa e no campo devido à germinação e estabelecimento rápidos, grande produção de massa verde em pouco tempo (40 a 60 t/ha), que reverte em maior fixação de nitrogênio (200 a 300 kg/ha).

2- Crotalária-spectabilis: muito usada pela capacidade de controle de nematoides, de galhas e das lesões radiculares. Produz de 20 a 30 t/ha de massa verde e fixa entre 40 a 50 kg/ha de nitrogênio.

3- Crotalária-ochroleuca: é uma leguminosa rústica, com produção de biomassa e altura intermediária entre as Crotalárias, júncea e spectabilis, 30 a 40 t/ha, e fixa entre 80 a 100 kg/ha de nitrogênio.

4- Coquetel, Mix ou Composto de Adubos Verdes: utilizado pelos diferentes hábitos de crescimento, exploração radicular, composição nutricional e florística. As espécies mais recomendadas são: Crotalária-júncea, Guandu-anão, Feijão-de-porco, Lablab e Mucuna-anã.

5- Coquetel de Crotalária-ochroleuca e Milheto: é uma composição indicada para solos degradados que necessitam de uma proteção rápida e melhoria da fertilidade. Alia as vantagens do milheto no crescimento e proteção rápida com a crotalária-ochroleuca, que além da fixação do nitrogênio controla os principais nematoides da cana. Produz 40 a 60 t/ha de massa verde.

       

6- Nabo-forrageiro: da família das brássicas, é indicado para semeadura do final de março a junho. É uma alternativa para área de renovação, que vai ser colhida mais cedo, no início da safra. Rústica e de fácil estabelecimento, permite a semeadura a lanço na soqueira, com ou sem incorporação da semente. A dessecação é feita após 80 a 90 dias, no florescimento.

       

Meiosi

A adubação verde também pode ser utilizada com sucesso na meiosi, inclusive com as mudas pré-brotadas (MPB), garantindo todos os benefícios e ganho de produtividade.

       

PLANTIO INTERCALAR NA SOQUEIRA DA CANA

Tem como objetivo aumentar a produtividade da soqueira no estágio do quarto/quinto corte quando é decrescente a produção ou no último corte como forma de “ganhar’ mais um corte. A crotalária-spectabilis é a espécie que melhor se adapta a esse manejo com a vantagem de fornecer nitrogênio, descompactar o solo e controlar nematoides. O plantio é feito em linha direto na palha da cana (figura 1) ou a lanço na cana enleirada (figura 2).

Figura 1         Figura 2

PLANTIO, MANEJO DA BIOMASSA E PLANTIO DA CANA

O plantio dos adubos verdes pode ser feito em linha (figura 1) ou a lanço e no manejo da biomassa utiliza a grade intermediária (figura 2), o rolo-faca (figura 3 e 4), a dessecação (figura 5), a canteirização (figuras 6 e 7) e o plantio direto da cana (figuras 8 e 9)

Cuidados

Os principais cuidados para o sucesso da adubação verde são:
1- Sementes de qualidade comprovada, com germinação e pureza dentro dos padrões estipulados pelo Ministério da Agricultura, que só uma empresa idônea, com RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas), pode garantir;
2- Semeadura dos adubos verdes na época ideal, quantidade e profundidade recomendada;
3- Correção e adubação, se necessária, de acordo com análise de solo;
4- Verificar o histórico de herbicidas com efeito residual prolongado como, por exemplo, o ingrediente ativo tebuthiuron.

RESULTADOS

A adubação verde na implantação e renovação do canavial resulta em:
a) Ganho de produtividade: comprovada na pesquisa e na pratica de 15 a 20 toneladas de colmos por hectare;
b) Redução do custo de produção: com a economia de adubos minerais devido à fixação de nitrogênio e reciclagem de nutrientes. Redução de nematicida, replantio e conservação do solo;
c) Preservação do solo: prolongando a sua capacidade produtiva graças às melhorias dos atributos físico, químico e biológico.

CONCLUSÕES

A produção da cana-de-açúcar é altamente esgotante para o solo e no momento da renovação do canavial está a oportunidade de recuperar a fertilidade do solo e interromper os efeitos negativos da monocultura. No caso de implantação em áreas de expansão, que na maioria das vezes ocorre em solos pobres e até mesmo degradados, as práticas de correção de fertilidade em conjunto com a adubação verde dão garantia de maior produtividade.
O uso do adubo verde na renovação e na implantação dos canaviais tem como resultados o aumento da produtividade, a redução de custos, a recuperação/manutenção/melhoria da capacidade produtiva do solo, obtendo ainda créditos na preservação do meio ambiente.