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Central do Adubador

Mais de 40 anos na defesa da Adubação Verde

Sementes Piraí: uma história de 40 anos na defesa da prática da adubação verde na agricultura brasileira

Conheça um pouco sobre a trajetória dessa empresa, que se mistura com a própria história da adubação verde no país

Desfibradora estacionária. Detalhe- o corte, alimentação do equipamento e a esparramação da fibra era manual

 

A história da Sementes Piraí está diretamente atrelada a difusão do conceito de adubação verde no Brasil. Nesses 40 anos de existência, a empresa tem como principal objetivo disseminar a prática de adubação verde e cobertura vegetal a todas as culturas e pessoas, desde agricultores, engenheiros, até crianças, pois um futuro promissor depende essencialmente do cuidado com o presente. 

“Nós não vendemos sementes, nós vendemos a ideia de adubação verde, essa é a verdade. Porque esses grupos de pessoas estão fazendo adubação verde? Porque alguma coisa está incomodando eles, eles querem preservar o solo para que no futuro continuem tendo boas colheitas”. Assim Jorge Potascheff, diretor do departamento administrativo financeiro da Sementes Piraí, define a empresa, que começou no ano de 1973.


Naquele ano, Jorge tinha se formado Engenheiro Agrônomo pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), e, começou a trabalhar no Departamento Agrícola da extinta Companhia Industrial de Papel Pirahy.

 

Vista da desfibradora manual em trabalho

Na época, a Companhia pertencia à Souza Cruz, uma subsidiária do grupo British American Tobacco Company (B.A.T.). A Souza Cruz comprou a Companhia Industrial de Papel Pirahy com o objetivo exclusivo de fabricação de papel para cigarro, produto com consumo muito elevado nas décadas de 50 e 60 em todo país.

Para a produção de um papel com melhor qualidade, consistência e adequação às máquinas do período, a fabricação era realizada com fibra de Crotalaria-juncea. Como o processo já era conhecido e realizado na Índia, local onde o grupo B.A.T. também atuava, foi igualmente implantado no Brasil. Nesse período a Crotalária já era utilizada para a prática de adubação verde em culturas como a cafeicultura e canavieira.

Posição estratégica

Piracicaba é um município localizado na região metropolitana de Campinas, um grande centro de estudo e prática de agricultura desde os primórdios da atividade no país. Fundado em 1887, pelo então Imperador D. Pedro II, o IAC (Instituto Agronômico) – com sede em Campinas – é um órgão de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e,   juntamente com a CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) do município, eram responsáveis pelo beneficiamento e distribuição das sementes de Crotalária aos produtores do estado. 

Para suprir a demanda de papel de cigarro que se foi ampliada devido a proibição de importação de papel em todo território nacional,  a Companhia Industrial de Papel Pirahy aumentou a produção, pois produzia papel para todo cigarro consumido no Brasil, e, começou a comprar todas as sementes de Crotalária que o IAC e a CATI produziam. Resultado: gerou reclamação. 

Foi aí que surgiu um Departamento Agrícola específico para o beneficiamento de sementes dentro da Pirahy, coordenado por Jorge. A Pirahy, desde então, começou a fomentar a produção de sementes dentre os agricultores e o excedente que sobrava da produção de papel para cigarro, era vendido principalmente às usinas de cana-de-açúcar, muito comuns na região até hoje.

Em 1973, a Pirahy ficava numa sala no cento de Piracicaba, na Rua Riachuelo, num barracão que era uma antiga oficina mecânica, depois mudou-se para a Rua do Rosário, numa antiga fábrica de balas e, em 1985, para o endereço onde permanece até hoje: ao lado da Avenida Doutor Cássio Pascoal Padovani.
“Nesse período crescemos muito, pois o mercado começou a pedir novas qualidades de sementes e nós atendemos. Começamos a produção de outras espécies como as Mucunas”, lembra Jorge.

Colheita mecanizada de fibra de plantas de
Crotalária-juncea, desfibragem e esparramação

 

Desenvolvimento da colheitadeira. O equipamento mostrado foi um dos primeiros protótipos

 

Vista geral da colheita mecanizada de fibra de
Crotalária-juncea

 

 

Da Pirahy para a Piraí 

Por volta de 1990, o grupo B.A.T. se constituía de uma imensa roading com mais de dez empresas, nos mais diversos ramos: desde produção de suco, papel de cigarro, plástico para a embalagem do cigarro, seguradora, até produção e venda de mudas. Os investidores acharam que estava tudo muito disperso, devido ao número grande de empresas para administrar, então, decidiu ficar apenas com a produção de fumo e cigarro e vender todas as outras fábricas e marcas.

Juntamente com essa norma, surgiu a descoberta de uma mistura que incluía a fibra do sisal, que poderia substituir a fibra da Crotalária na fabricação de papel para cigarro. E, um terceiro fator agregou o desagrado da B.A.T. com a Pirahy: uma filial da fábrica que ficava no estado do Rio de Janeiro começou a causar problemas ambientais, diante disso a melhor alternativa era vender a empresa.

Jorge, que já trabalhava no Departamento Agrícola da Pirahy desde 1973 conversou com os então supervisores e colegas Donizeti e Sérgio, que também trabalhavam na Companhia. Juntos, eles decidiram comprar a empresa da Souza Cruz.

Na flor da idade, os três engenheiros tinham muita energia e vontade de trabalhar, porém, não tinham o principal: verba para a aquisição. “A Souza Cruz foi uma mãe para nós, ela nos emprestou o dinheiro para a compra, o qual quitamos ao longo dos primeiros anos de existência da nova empresa”, relembra Jorge.

Eis que em julho de 1990 surge a DSJ (Donizeti, Sérgio e Jorge Comércio e Representação SA). O nome foi alterado durante um período devido às regras do contrato assinado junto à Souza Cruz, as quais exigiam que o nome voltasse a ser Piraí (agora com I e sem H), apenas no pagamento total do empréstimo.

Determinados os responsáveis por cada setor: José Aparecido Donizeti Carlos, no comercial, Sérgio Zeferino Batista na produção e Jorge Potascheff Júnior no administrativo financeiro, a empresa agora tinha apenas o foco principal: produção de sementes para adubação verde.

Entraves

Como na vida de toda empresa, a Piraí passou por alguns testes ao longo desses 40 anos. Um deles foi o minhocário, uma produção de minhocas para a fabricação de ração. “Toda vez que chove surge minhoca em qualquer canto que tenha terra, até hoje”, lembra sorrindo Jorge.
Outro foi uma revenda de papel a varejo. “Essas ocasiões difíceis foram ótimas para aprendermos que nosso foco é adubação verde, não podemos entrar em outros nichos, temos que trabalhar com o que somos especializados e também com aquilo que temos como mote de vida”, conta.

 

Uma prática que agrega sustentabilidade à produção agrícola 

 “Para as plantas responderem temos que ter um sistema equilibrado”, define Jorge, completando que “o que é mais interessante com a adubação verde é mudar o modo de pensar das pessoas, pois é preciso descansar o solo para que ele se recupere e volte a produzir”.

Barrac¦o da Av. Cássio Paschoal Padovani recém alugado

Um exemplo típico de cobertura vegetal ou adubação verde que dá certo até hoje e é conhecido por todos é o sistema da Floresta Amazônica, exuberante com árvores imensas, rico em variedades, que abriga diversas espécies animais e vegetais, mas, de um solo extremamente pobre. 

“O solo da Floresta Amazônica é extremamente fraco. Quando você faz o desmatamento, retira a cobertura vegetal, abre a área e a matéria orgânica oxida e vira carbono, perdendo todos os nutrientes. O solo é ácido, uma areia pura, o que não sustenta nada. Então a probabilidade da Amazônia virar um deserto  existe, se continuar esse desmatamento desenfreado. Esse é um ambiente tão vigoroso, tão bonito pois vive em perfeito equilíbrio, é que nem a serra do mar. Volta e meia uma planta cai, uma arvore cai, o que dá chance para outras se estabelecerem”, explica Jorge.

A adubação verde tem exatamente essa característica: manter o equilíbrio do solo. Uma técnica que agrega sustentabilidade à produção agrícola, pois, além de produzir a cultura, nutre o solo para que o mesmo não desgaste com o passar do tempo. 

 

 

 

A adubação verde tem como intuito a proteção do solo. “O material orgânico que fica sob o solo vai se incorporando as plantas. O sistema radicular profundo traz à superfície todos os nutrientes e recicla o solo que foi desgastado com a cultura plantada anteriormente”, explica Jorge.